Desde que me entendo como eleitora da 80ª Zona Eleitoral
(Tucano-Ba), sempre tivemos por aqui dois lados políticos distintos: situação e
oposição. Durante a ditadura militar tínhamos apenas dois partidos: ARENA (Aliança Renovadora Nacional)
que apoiava o regime militar e concedia benesses aos seus integrantes como
liberação de verbas, mordomias, proteção, etc.; e, na outra ponta, o MDB
(Movimento Democrático Brasileiro) que fazia uma espécie de oposição consentida
e cujos membros vivam sob a ameaça de cassação de seus mandatos e prisão. Ou
seja, podia-se fazer uma oposição leve, singela, sem a pretensão de ultrapassar
a linha estabelecida pelo regime. Muitos pagaram com a vida ao irem além desta
“linha”. Somente a partir de 1980, quando se deu o fim do Regime Militar é que o pluripartidarismo renasceu.
Em Tucano os eleitores da ARENA eram conhecidos como “boca
branca” e os do MDB, “boca preta”. Havia certo orgulho de se pertencer a um dos
dois partidos, de forma que uma vez boca preta, sempre boca preta e vice-versa.
Perdia-se a eleição, mas conserva-se o orgulho e o posicionamento político.
Óbvio que vez por outra, um perdedor transitava de um lado para o outro, afinal
a ARENA elegeu em 1966 seu primeiro prefeito e foram quarenta anos no poder,
mesmo após o pluripartidarismo. Entretanto a questão não se resumia a vencer, a
questão era a consciência que os perdedores tinham de quem era melhor para
governar o município.
Hoje, sem margem de erro alguma, podemos dizer que Tucano tem
três grupos políticos distintos: situação, oposição e interesseiros. Dos três,
este último representa a escória política, porque escolhem o lado aonde vão se
dar bem e, entende-se que se dar bem, é ocupar cargos comissionados, é vereador
trair seus eleitores cinicamente porque não importa se seu partido perdeu, ele
quer se dar bem e para isso pula para o outro lado. O lema é “Estando bem para
mim, os outros que se danem”. Todos nós sabemos que este comportamento se intensificou
nos últimos anos, devido às eleições inflacionadas aonde comprar e vender voto
é tão “normal” como criar galinhas e vender ovos. Nesse momento de transição
política assistimos a esse espetáculo triste e macabro. É chegada a hora dos
“cargos em leilão”: quem vai para aonde? Onde o lucro é maior?
Entretanto, aqueles/aquelas que fizeram campanha contrária e
hoje andam em “bodas de amizade” com a nova gestão, serão apenas figuras
decorativas, porque na hora que quiserem fazer qualquer coisa que não seja do
agrado de seu empregador, vai ser podado. Sempre foi assim e não vai ser
diferente agora.
No obscurantismo do jogo político não há ética, o que se vê são
acordos e administração de negócios, de preferência, negócios próprios.
MPMT
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